Minha trajetória em catálise começou no mestrado. Sou graduada em Licenciatura Plena em Química pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI), onde fiz minha primeira iniciação científica na área de eletroquímica, estudando sensores (microeletrodos) para detecção de fármacos em meio aquoso, sob orientação do Prof. Dr. Reginaldo da Silva Santos. Essa experiência despertou meu interesse pela pesquisa e o desejo de seguir carreira acadêmica.
Ao ingressar no mestrado da Universidade Federal do Piauí (UFPI), passei a estudar catálise. Sob orientação do Prof. Dr. Geraldo Eduardo da Luz Júnior e coorientação do Prof. Dr. Reginaldo da Silva Santos, comecei a trabalhar com fotocatálise para degradação de contaminantes emergentes, utilizando óxidos semicondutores. Meu desejo era continuar atuando na eletroquímica, e isso nos levou a investigar filmes semicondutores com aplicações fotoeletrocatalíticas. Hoje, o nosso grupo, o GrEEnTec (Grupo de Estudos em Energias Renováveis & Tecnologias em Catálise), segue atuando com filmes semicondutores e catálise voltada à remediação ambiental.
No doutorado, também na UFPI, aprofundei a linha de pesquisa em fotocatálise, desenvolvendo compósitos e filmes semicondutores em heterojunções para aplicações ambientais. Foi nesse período que comecei a participar mais ativamente de eventos científicos. Lembro com muito carinho do meu primeiro ENCAT (Encontro de Catálise do Norte, Nordeste e Centro-Oeste), realizado em Belém (PA), que foi um momento de grande aprendizado e integração com a comunidade científica. Depois, participei do Congresso Brasileiro de Catálise (CBCat), em São Paulo, e desde então sempre aguardo com entusiasmo nossos encontros, que enriquecem muito nossa formação.
Durante o doutorado, realizei estágio sanduíche no Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (LIEC), no Departamento de Química da UFSCar, sob supervisão do Prof. Dr. Elson Longo. Essa vivência trouxe um grande crescimento científico e pessoal, além de fortalecer parcerias com o professor Elson e com a Profa. Dra. Lúcia Helena Mascaro. Em 2022, pela Regional 1 (Norte, Nordeste e Centro-Oeste), tive a oportunidade de contribuir com a organização da 13ª edição do ENCAT, realizada remotamente e sediada pela comunidade de Teresina (PI).
Nos últimos anos do doutorado, atuei como professora substituta no Instituto Federal do Piauí (IFPI) enquanto finalizava minha tese. Depois, participei de processos seletivos de pós-doutorado em outros estados, mas acabei decidindo permanecer no Piauí por questões de saúde. Realizei então meu estágio pós-doutoral na UESPI, sob supervisão do Prof. Dr. Laécio Cavalcante, que sempre foi um grande colaborador das nossas pesquisas. Nesse período, participei da coorientação de dois mestrandos e alunos de iniciação científica.
Atualmente, sou Professora EBTT efetiva do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) e mantenho parcerias de pesquisa com o Programa de Pós-Graduação em Química da UESPI (PPGQ-UESPI). Também atuo como professora colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede BIONORTE (PPG-BIONORTE).
A pesquisa abriu muitas portas na minha vida, tanto profissional quanto pessoal. Meu objetivo é continuar desenvolvendo trabalhos nas áreas de catálise e remediação ambiental, contribuindo para soluções que impactem positivamente a sociedade e o meio ambiente.
Gostaria de agradecer à SBCat pela oportunidade de contar um pouco da minha história. Eu já li vários relatos de pessoas que admiro nesta seção, que considero de grande relevância, e não imaginei que um deles poderia ser o meu.
Eu nasci em São Paulo/SP, porém, após a morte da minha mãe, quando eu ainda era criança, vim morar no estado do Rio Grande do Norte com a minha avó materna, na cidade de Macau. Eu sempre estudei em instituições públicas. Mas vamos catalisar para a parte na qual fui apresentada à Química.
Em 2010, entrei no curso técnico de nível médio integrado em Química no IFRN – Campus Macau. Fui apresentada à Química, área que escolhi seguir, pois me apaixonei ao longo do curso. Pela primeira vez, tive acesso a uma educação de excelência. Concluí o curso no período regular de quatro anos e, devido à minha dedicação, recebi o certificado de distinção acadêmica Magna cum laude.
Iniciei meus estudos na UFRN em 2014, em Natal/RN, no curso de Química Licenciatura. Já sabendo da existência do programa de Iniciação Científica, assim que entrei na universidade, ainda no primeiro semestre de 2014, perguntei ao professor Tiago Pinheiro Braga se ele tinha algum projeto e demonstrei interesse em participar. Alguns meses depois, ele me convidou para ser sua primeira aluna de Iniciação Científica no LABPEMOL, onde fui muito bem acolhida também pela professora Sibele Pergher. No LABPEMOL fui apresentada à catálise e participei do meu primeiro ENCAT em 2014, em Recife/PE. Além da Iniciação Científica, também fui aluna do Programa de Iniciação à Docência (PIBID) e professora de Química no projeto de extensão — cursinho do DCE da UFRN. Estes dois últimos me fizeram crescer muito enquanto profissional docente.
Concluí o curso no período regular de quatro anos e, devido à minha dedicação, recebi novamente o certificado de distinção acadêmica Magna cum laude, como forma de reconhecimento ao alto desempenho durante o curso de Química Licenciatura. Achei muito importante ser eu, uma mulher negra, a receber essa homenagem em uma ciência que, por muitos anos, teve predominância masculina.
Em 2018, já no mestrado, iniciei os estudos com esferas híbridas de ferro e cobalto. Em fevereiro de 2020, defendi minha dissertação intitulada “Síntese da liga de Fe-Co pelo método de esferas híbridas utilizando carboximetilcelulose como direcionador e sua aplicação em catálise”. Também em 2018 fui professora substituta de Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) no Campus Centro Histórico. Foi uma experiência incrível, pois pude retornar à instituição que primeiro me formou como química e pude contribuir e aprender muito. Lecionei na instituição até 2019.
Em fevereiro de 2020, iniciei o doutorado em Química no Programa de Pós-Graduação em Química da UFRN, desenvolvido no LABPEMOL, novamente sob orientação do professor Dr. Tiago Pinheiro Braga. A situação de pandemia dificultou bastante as pesquisas de bancada, mas consegui concluir as disciplinas e a docência assistida. No mesmo período, passei em um concurso como professora de Ciências no município de Parazinho/RN. Assim, realizei todo o doutorado também trabalhando. Em 2024, defendi minha tese intitulada “Síntese de nanotubos de carbono a partir da conversão catalítica do etilbenzeno sob óxidos de SrFe12O19/SiO₂: aplicação na fotodegradação do corante industrial remazol vermelho”. Gostaria de adicionar que consegui apresentar a primeira parte do meu trabalho de doutorado no CBCat 2023 após receber o Prêmio Victor Teixeira da SBCat.
Em 2025, iniciei como pesquisadora no projeto “Avaliação catalítica de componentes de catalisadores de FCC com sistema de poros hierarquizados”, sob a coordenação da professora Sibele Pergher no LABPEMOL. É uma honra trabalhar com a professora Sibele. Também em 2025, fiz parte da equipe de apoio do 23° CBCat, onde fundamos o núcleo SBCat Jovem, do qual me tornei coordenadora.
A catálise se tornou muito mais que uma área da ciência para mim. Ela diminuiu a energia de ativação, encurtando o caminho reacional para que eu alcance meus sonhos. Acredito que ainda tenho muito a aprender e a contribuir. Espero que a catálise e a SBCat continuem me acompanhando.
Sou pai de Olívia e torcedor do Náutico! Sou também um entusiasta em compartilhar conhecimento, por isso escolhi ser professor! Recentemente, realizei um sonho profissional ao tomar posse como professor do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), instituição onde me graduei, e tive o privilégio de aprender com grandes mestres.
Durante a graduação (2009–2015), fui bolsista do PRH28-ANP-UFPE, coordenado pela Profa. Celmy Barbosa, cuja orientação e apoio me proporcionaram inúmeras oportunidades. Desenvolvi pesquisa na área de Modelagem Termodinâmica de Sistemas no Pré-Sal, sob a orientação dos professores Fernando Pellegrini Pessoa (UFRJ) e Leandro Danielski (UFPE), que desempenharam papel fundamental como incentivadores em minha trajetória acadêmica. Além disso, fui contemplado com uma bolsa de graduação sanduíche pelo programa Ciência sem Fronteiras (2013–2014), na Lakehead University, no Canadá.
No mestrado, realizado na COPPE/UFRJ (2015-2017), tive a honra de ser orientado pelo brilhante Prof. José Carlos Costa da Silva Pinto, líder do grupo EngePol. Considero-o uma grande referência profissional, cuja trajetória me inspira a buscar excelência em minha carreira. Nesse período, desenvolvi uma pesquisa inteiramente teórica-computacional, dedicada à Modelagem do Processo de Secagem de Partículas de Polipropileno.
Porém, gostaria de destacar, em especial, a disciplina “Estimação de Parâmetros e Projetos de Experimentos”, que cursei com o Zé Carlos. Foi nela que compreendi a estabelecer a ponte entre o mundo experimental e o teórico-computacional por meio da estimação de parâmetros. Zé sempre dizia: “Para o doutorado, você precisa ir para o laboratório, obter seus próprios dados experimentais, e construir um modelo que explique seus experimentos... isso faz parte da formação de um pesquisador!”
Eu estava muito feliz na COPPE-UFRJ, e gostaria de ter feito o doutorado por lá. Entretanto, também gostaria de respirar novos ares e ficar mais próximo de minha companheira de vida, Nathalia, que fazia doutorado na USP na época. Então, decidi me mudar para São Paulo em 2017, e consegui ser aprovado na seleção da POLI-USP, para estudar a cinética da reação Water-Gas Shift (WGS) com o uso de catalisadores de nanotubos de carbono. Foi onde mergulhei na Catálise!
Conheci meus orientadores de doutorado da USP ainda na COPPE-UFRJ: Prof. Reinaldo Giudici numa banca de doutorado, e Prof. Martin Schmal, que é Professor Emérito da COPPE e referência mundial em Catálise. Conversando com os dois, e conhecendo depois Profa. Rita Maria de Brito Alves, participei da construção do novo laboratório de Catálise da POLI-USP: o LaPCat – Laboratório de Pesquisa e Inovação em Processos Catalíticos. Fui orientado pelo dream team com o qual qualquer estudante de pós-graduação no Brasil aspira trabalhar. Aprendi como funciona o trabalho experimental em um laboratório, e agradeço muito a Dra. Camila Emilia Kozonoe.
Vale destacar que a minha primeira participação em um CBCat foi em 2019, com um trabalho sobre uso de modelos de machine learning para varrer a literatura e encontrar o melhor catalisador para uma determinada reação.
Além disso, tive a oportunidade de realizar doutorado-sanduíche com o Prof. Joris W. Thybaut e o Dr. Jeroen Poissonnier da Ghent University na Bélgica, que me acolheram por 7 meses no LCT (Laboratory for Chemical Technology). Este grupo de pesquisa realiza modelagens cinéticas com abordagem do tipo “micro”, no qual se consideram todas as reações na superfície do catalisador, sem uma etapa determinante a priori.
Defendi meu doutorado em dezembro de 2023, conciliando essa etapa final com o início da jornada da paternidade e com minhas atividades como professor/coordenador na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) das Engenharias. Foi um período desafiador, mas extremamente enriquecedor.
Hoje, retorno à UFPE como professor, motivado a contribuir com o avanço da catálise e modelagem cinética, integrando o grupo de pesquisa dos amigos e parceiros Prof. José Geraldo Pacheco e Profa. Celmy Barbosa, o Laboratório de Refino e Tecnologias Limpas (Lateclim) do Instituto de Pesquisa em Petróleo e Energia (i-Litpeg) da UFPE.
O 23º Congresso Brasileiro de Catálise (CBCAT) anunciou a Heloysa Martins Carvalho Andrade, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), como a grande vencedora do Prêmio Mulher na Catálise 2025.
Reconhecida por sua trajetória de destaque na área, a professora Heloysa apresentará uma palestra especial, com o tema: “Histórias e encontros em 40 anos de Catálise na Bahia”.
Data: 22/09/2025
Horário: 14h
A premiação celebra mulheres que contribuem de forma significativa para o avanço da catálise no Brasil, inspirando novas gerações de pesquisadoras e pesquisadores.
Fonte: sbcatalise
A Sociedade Brasileira de Catálise (SBCat) convida todos os seus sócios a participarem da Assembleia Geral, que acontece nesta terça-feira, 24 de setembro, às 19h, na Sala Bossa Nova.
A atividade será realizada durante o 23º Congresso Brasileiro de Catálise (23CBCat), em Natal, reunindo a comunidade científica da área. A participação dos associados é considerada essencial para o fortalecimento das ações da Sociedade.
A SBCat ressalta que a presença dos sócios é fundamental!